segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

só mais uma - final. (amém)

Descemos próximo a um supermercado 24 horas, desejando que a lanchonete dele também estivesse aberta. Era amplo e as luzes doeram na minha vista. Algumas filas para pagamento e ainda via-se pessoas começando as compras. Passamos pela seção de bebidas e apesar de eu não conseguir beber, sempre achei aquela seção a mais bonita. Para ele era apenas mais uma seção, mas sempre que passávamos para a seção de bolos ele não podia deixar de olhar os sabores, mesmo que furtivamente. Brownie era seu preferido, e pude ajudá-lo uma certa tarde a cozinhar um para comermos juntos, aqueles de caixa mesmo onde basicamente precisa-se acrescentar leite, ovo e manteiga. Era incrível a rapidez que devorava uns 4 pedaços em menos de um minuto.

- As coisas estão ficando complicadas entre nós, não é? - disse ele de repente, tirando-me do devaneio.

- Queres dizer sobre essa grande nuvem negra que flutua aqui em cima? - apontei para cima de nossas cabeças.

- Com certeza.

- É, achei que tinha sido a única a notar.

Nos sentamos em uma mesa vazia de canto próximo a janela de vidro que cobria toda a parede, mostrando a cidade nua ao luar. Poucas nuvens cobriam o céu, deixando o céu com o tom azul escuro, mas apesar disso, não se via estrelas. Tinha alguns grupos no lugar, o que era mais tranquilo, não iamos ser os únicos falando.

Otávio permaneceu em silêncio, observando a paisagem, distante da realidade. Me observou um pouco mais, percorrendo por cada detalhe do meu rosto. Movi um pouco desconfortável desviando o olhar.

- Então, eu não sei realmente porque isso está acontecendo, - começou ele, desconcertado, sendo incapaz de deixar as mãos paradas, mesmo que elas fizessem nada util. - quero dizer, eu sei mas... não posso controlar. Estamos sendo postos em estranhas situações ultimamente, e eu não sei como reagir. Talvez não seja estranho pra ti, mas para mim, é. 

-  Por quê? Por que não é normal pra ti? - Recebi o que ele me disse como uma acusação. Ele não percebeu o quão incomoda fora para mim? 
Ele mordeu o lábio inferior e respirou fundo. Estava com uma expressão de quem tem que dizer algo que não quer. 

- Não estou dizendo que foi só pra mim ruim, é que apenas prefiro não arriscar dizer por você. Olha, nós somos amigos desde o ensino médio, nós  entramos na Universidade, em diferentes, mas quero dizer que já nos conhecemos faz tempo. Eu a vi pela primeira vez naquela estúpida peça que o colégio mandou interpretarmos. Tu estavas escovando o cabelo e reclamando dele bagunçar rápido demais, - ele soltou uma leve risada. - foi apenas... lindo. E quando escutei a sua voz, eu soube naquele mesmo instante, que seria extremamente difícil se eu precisasse  esquecê-la. E aqui estamos nós. Tendo novas experiencias, você está saindo com garotos, eu estou saindo com garotas, novos amigos, velhos amigos, estamos mudando, e não importa o quanto eu mude e você mude, por que eu continuo... - ele soltou o ar devagar e olhava-me nos olhos. - eu continuou apaixonado por ti. E isso apenas não muda.

Eu pude sentir meus olhos marejarem enquanto ele dizia palavras tão amáveis e suaves. Apesar de estar com o coração acelerando, eu queria me esconder. Era algo que eu sempre quis escutar, mas estava assustada e envergonhada. Ele sempre estivera ali, e eu não percebi suficientemente. Sem deixar-me falar, ele continuou:

- Eu sei que deve ser difícil pra ti escutar isso, eu sou teu amigo e no fundo eu sempre gostei de ti e eu sei que tu não gostas desse tipo de situção. Sei que é incomoda. - ele cobriu o rosto com as duas mãos. - É apenas doloroso, sabe? Não é tua culpa, mas dói. Essa grande nuvem negra é porque eu sabia que iam ter dias que eu teria de vê-la com outros homens e não teria nada no mundo que eu pudesse fazer, porque eu perdi a minha chance, e meu Deus, eu tive muitas chances! Desculpe, eu não deveria agir assim, mas eu já estou exausto. - ele enxugou os olhos que começavam a se preencher de água. - Além do mais vê-la com um copo de bebida na mão me pegou de surpresa. Não gostei de saber que ali, na minha frente, estava você fazendo algo que sempre me disse que não faria. Apesar de não teres dever nenhum para comigo, é só, agoniante.

- São muitos anos guardados, não é? - Senti a amargura em minha voz, mas mesmo assim, ele sorriu, porém visivelmente  triste, cada gesto seu gritava isso para mim. - Eu só quis tentar mudar, achei por um momento que ser apenas eu não bastava, para nada e ninguém. - acrescentei a ultima palavra em um sussurro.

- Para mim é muito mais que o suficiente, e sinceramente não é só para mim Jen. Eu nunca gostei de ninguém dessa forma tão... intensa. Eu já tentei te superar, - disse ele enquanto encostava a nuca na costa da cadeira. - já tentei te esquecer, parar de falar contigo, sair com outras pessoas, mas quando chega no fim do dia eu só quero lhe enviar uma mensagem de boa noite, acredita nisso? E estou com medo Jenny, estou despejando milhões de palavras e tu pareces imutável, como se tivesse vestido sua máscara, que há muito tempo derrubei. Me diga que eu estraguei tudo e que quer apenas minha amizade, que eu me esforçarei ao dobro pra superá-la, mas diga-me a verdade. Diga-me que não tenho mais seu coração, que nunca mais oferecerei o meu.

Percebi que prendia a respiração e soltei em um suspiro.

- Lembra do dia em que estávamos sentados na beira do palco e você me olhou nos olhos e disse "trabalhe duro, porque tens um papel bastante importante nessa peça" com uma coroa estranha na cabeça. - apontei para minha cabeça.

Ele estava surpreso e deixou a alegria invadi-lo devagar, seus olhos brilharam enquanto ele os abaixava e sorria.

- Tu lembras.

- Como eu esqueceria?

- É, com aquela coroa ninguém esqueceria. Parecia feita de pele, o que era aquilo?

- Enfim, - respondi enquanto balançava a cabeça, afastando esses pensamentos. - aquele momento eu percebi o quanto era gratificante para mim tê-lo ao meu lado, ajudando-me a dar o melhor de mim. E torcendo por mim. Eu percebi que queria isso, queria isso vindo de você, porém vindo apenas para mim, um pensamento egoísta, mas queria ter você somente para mim. Eu gosto de ti. Não apenas esse gostar em que acreditas, - ele que havia aberto a boca para protestar, fechou-a. - Eu te amo, essa é a verdade, e sempre amei, e nenhuma outra no mundo foi capaz de fazer-me esquecê-lo e ouso dizer que ninguém nunca irá. - confessei com um inevitável sorriso no rosto

A tensão em seus músculos relaxaram instantâneamente, ele cobriu mais uma vez o rosto nas mãos. Pressionei minhas mãos contra as suas, abaixando-as devagar. Eu queria ver seu rosto, queria gravar aquele instante na minha mente e nunca mais esquecer. Suas mãos estavam geladas, porém seu rosto estava rosado, ele estava sorrindo para mim. 

- Não estás mentindo só para me deixar feliz, não é? - ele perguntou, levantando uma das sobrancelhas.

Bati em seu antebraço e revirei os olhos. Ele colocou suas mãos sobre as minhas gentilmente, envolvendo-as. Um calor familiar percorreu meu corpo, agradável. Ele estava bem mais relaxado, até sua postura estava mais desleixada. Consegui olhá-lo de verdade, sem o véu que  vestia para esconder o que sentia, nublando minha visão, deixando-me tão focada em permanecer controlada que não enxergava o amor em seus olhos, e percebi que ele desfrutava do mesmo sentimento que eu.

Eu não sabia o que iria acontecer a partir deste momento, mas eu sabia que a pessoa, a única pessoa, que amei em toda a minha vida estaria do meu lado, como sempre esteve.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

webcam


close your eyes and take my hand
follow me to a place where night has no end 
the night shows all the secrets that the daylight is trying to hide
 when we are asleep we have to fight against 
all the monsters and dragons that are hiding from the light 
- welcome to loveland, haruko


sábado, 15 de novembro de 2014

haru matsu bokura

eu tenho lido mais um mangá, eu e minha irmã entramos nessa fase de ler vários mangás desde nossa maratona de Ao Haru Ride, e agora estamos acompanhando o Haru Matsu Bokura, um mangá bem divertido, onde a principal, Mitsuki mudou-se de escola e entra no ensino médio sem conhecer ninguém da nova turma, ou até mesmo do colégio. 
Até que o o grupo mais famoso de basquete entre as meninas, os "Four" começam a frequentar diariamente o local em que ela trabalha. Tornando-se impossível então não se comunicar com eles
 e por fim tornar-se amiga deles.

Untitled
Boys | via Tumblr

eu gostei do traço do desenhista, a maioria das vezes é isso que define se lerei o mangá ou não, sou muito seletiva em relação a isso, independente da história ser boa ou não.

haru matsu bokura  | via Tumblr

mas o que mais gostei neste é que dá pra ver um dos personagens, o Towa, apaixonar-se por ela devagar, pelas ações dela. Não foi algo do nada e sem explicações.
até então só lançaram 7 capítulos, então é bem rápido que se lê e espero que ainda tenham muitas histórias pela frente, já que eu gosto muito do casal principal.

¡!

até então também não tiveram muitas cenas românticas,
como disse, agora que ele está se apaixonando e conhecendo-a melhor.
é tão fofo *-*

aqui segue o link para caso se interessem 
harumatsubokura,
infelizmente está em inglês, acho que só lançou um capítulo em português até agora.
bom dia e até mais.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

pale jellyfish


apenas uma árvore, uma linda árvore sob a luz do entardecer.


como fiquei com saudades do Kou e ansiosa pelo novo capítulo do mangá,
 estou revendo ao haru ride x:


estou tendo aulas de laboratório essas ultimas semanas, e quinta passada observamos as medusas,
os cnidários, e foi incrível, está particularmente não tinha tentáculos, apenas braços orais e já estava sem cor por estar por muito tempo no Formol =\
porém mais legal foi ontem que olhamos os protistas ciliados que cultivamos, e nossa! 
eram tão lindos rs. o meu grupo achou um que estava filtrando, ou seja, se alimentando, e foi incrível. A maioria dos protistas dos outros estavam, infelizmente, mortos, 
então poucos virão como era fascinante.
depois disso jogamos fora as amostras com estes seres em uma pia sem dó nem piedade x:
mas mesmo depois deste fim trágico dos ciliados, foi divertido. 


esta foto foi da apresentação que meu pai (o da guitarra na mão) e a sua band 
fizeram há algumas semanas atrás, foi curto, mas eles estavam nervosos para isso. 
eu não lembro do nome do local, mas ele pareca locais onde as pessoas ou jovens da Inglaterra se encontram para fazer pequenos shows, ao menos foi o que me lembrou, atmosfera era bem diferente, de uma forma que foi um pequeno choque de realidade quando saí de lá.

boa noite para quem tem muito o que estudar e estar enrolando e para aqueles que simplesmente podem enrolar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

só mais uma - parte 4

Eu pedi um drink de morango para acompanhar os colegas de Martines, um garoto do qual aceitei ir para uma festa da cidade. Eu já tinha visitado o lugar anteriormente, mas nunca tinha escolhido algum drink, então foi a primeira e a mais agradável bebida que vi. Desde aquele encontro de casais com Otávio eu tenho tentado mudar, ser uma nova pessoa, mais divertida de preferência, aceitado os convites de encontros e me esforçado para ser mais participativa da minha própria vida. Mas é tão complicado... Então decidi beber casualmente e ver no que dá. 

Sinceramente, tem sido mais difícil do que tenho tentado aparentar, desde esse dia Otávio  manda mensagens casualmente, porém secas e as conversas não passam do "tudo bem?". Sinto como se uma montanha tivesse se erguido, pela primeira vez, grandiosa entre nós. Apesar de que eu não tenha ajudado também, já que respondo da mesma forma e no fundo espero que ele tome dianteira da situação. Eu nunca o vi em um encontro e vice-versa, então apesar de todo o "momento" que um dia tivemos ter passado, isso ainda era incomodo, porque pra mim ainda não tinha passado, não de verdade. E toda vez que lembro de Liza beijando-o, sinto que quero socá-lo bem no nariz ou empurrá-lo milhões de vezes até o borbulho de tristeza  e raiva esvair. 

Quando voltava para mesa com um copo de plástico cheio de bebida rosa, eu o vi. Como se meus pensamentos o chamassem. Otávio estava sentado distraidamente com os cotovelos apoiados em uma mesa bastante próxima da minha, sorrindo, com o cabelo escuro preso atrás da orelha. Seu sorriso era inesquecível, sincero e contagiante, e o mais bonito era como seus olhos brilhavam quando sorria, antes mesmo dos lábios se curvarem. Uma janela de sua felicidade.

Só rapazes na mesa, não pude deixar de notar. Além disso, notei que quando ele percebeu minha presença, ajeitou-se na cadeira mais ereto. Quase como... Desconfortável. Ele me olhou de baixo pra cima em alguns segundos, e agradeci mentalmente por ter me preocupado bem mais com a minha vestimenta e cabelo, que fiz questão de alisar para a ocasião, porém mantive a maquiagem quase imperceptível, apenas rímel e delineador. Acenei com a mão livre e ele franziu o rosto quando viu a bebida na minha outra mão, que ele não tinha reparado até então. Retribuiu o aceno sem muito entusiasmo. Suspirei e voltei para a minha mesa, ocupada por três rapazes e uma menina além de mim. Perceptivelmente a montanha havia crescido mais 3 metros depois de ele me ver com o liquido rosa em mãos, já que tudo o que sempre fiz foi repudiar qualquer  ingestão de alcool. Meu coração pesou em meu peito latejou em uma espécie de dor.

Martines era o tipo engraçado, não era muito bonito mas tinha seu charme. Talvez a forma que andava ou como as roupas que usava caiam-lhe bem, mas ainda assim, seus cabelos formavam muitos cachos e não combinavam direito com seus olhos puxados. 

- Olha, aqui está ela! - disse um dos rapazes. Bruno, eu acho. Assenti sorrindo. - Agora podemos todos fazer um brinde!

Todos os copos ao meu redor estavam cheios de cerveja, daquela que desce redondo. Levantaram os copos exclamando varias coisas ao mesmo tempo e eu não hesitei de repetir o que faziam, quando todos beberam, bebi também. Ou melhor, pus na boca, engoli algumas gotas e cuspi novamente no copo. Ninguém pareceu notar a cara de asco que fiz. Repousei o copo sobre a mesa desejando ter comprado só uma água invés de tentar ser alguém que não era. Mas eu queria ser "legal", não é? Pressionei meus lábios em reprovação a mim mesma. 

Um deles sacou um maço de cigarro e me ofereceu um, neguei insistente com a cabeça. 

- Ah, eu quero um Rodrigo. Não quer mesmo Jenny? - Martines disse enquanto colocava o cigarro na boca.

- Não, eu não posso, tenho asma. - respondi tocando um pouco abaixo da garganta. No fundo, era apenas uma desculpa, eu não fumava e nem queria fumar.

- E podemos fumar na sua frente? Não tem...

- Bem, eu quero. - Marina, a outra garota, inclinou-se sobre a mesa e roubou o cigarro da boca de Martines tentando seduzi-lo, impedindo-o de continuar o que dizia, deixando seu decote a amostra mais do que era preciso. Mantive minha expressão, sem deixar a surpresa tomar conta. Marina pareceu desapontada. Anotei mentalmente que esse era o tipo que coisa que eu nunca faria.

Fiquei na mesa por um bom tempo conversando, evitando que meus olhos permanecessem muito tempo em Otávio. Quando já não aguentava apenas observá-lo, levantei-me, se fosse para me controlar, eu teria muito mais sucesso afastada dele, e fui para a pista de dança, Não era bem uma pista, mas um salão em que se dançava. A casa de festa era ampla, o salão espaçoso. Em um dos cantos o DJ fazia seu trabalho. As luzes piscavam de uma forma confusa e variavam nas cores. Na entrada principal do salão havia um arco de sustentação tampado com cortinas de luzes led, que dividia os ambientes. O segundo era bem mais escuro e haviam vários sofás de couro espalhados ocupados por cliente cansados ou que não paravam de se agarrar. Seguindo um corredor encontrava-se mais um local de dança, um pouco menor e além dele, o bar, onde estava a pouco tempo. 

Cheguei no primeiro salão no momento em que tocava minha mais nova música favorita. Não pude deixar de sentir a excitação fluir pelas minhas veias e quando percebi já estava dançando. Movia-me no ritmo conhecido da música. Abri meus olhos e vi que Otávio me encarava avidamente. Ele se espremeu entre as pessoas que estavam ao meu redor até me alcançar. Sem, em um segundo sequer, tirar os olhos de mim. 

- Eu te desafio a dançar comigo. - disse ele se aproximando de meu ouvido, o rosto domado pelo desejo e atrevimento.

- Eu te desafio a me beijar. - retruquei. Surpresa passou rapidamente pelo seu rosto.

- Talvez a bebida que você cuspiu tenha feito algum efeito. - recuperando sua ousadia. Mas ali, escondido sob os véus estava admiração. - Interessante.

E então, foi a minha vez de se surpreender. Ninguém na minha mesa notou, e todos estavam bem próximos de mim. Será que... Ele estava olhando pra...? Ele me deu meio sorriso e continuou:

- Quer sair daqui? Ainda está um pouco cedo, podemos achar um lugar melhor aberto.

Ponderei a pergunta, mas ali estava o que eu queria, queria que ele agisse de alguma forma para diminuir aquele paredão formado, e ele estava tentando, então acenei olhando-o nos olhos e senti a tensão desfazendo-se por trás destes. Nunca gostei de música alta, daquelas em que até o coração treme com a batida. E ele tinha se tornado a único interessante para manter-me ali. 

O segurança cortou nossas pulseiras na saída e fomos para o ponto de ônibus.

- Você quis dizer um lugar mais "certo" para nós dois, não é?

- Definitivamente. Será que ainda tem alguma lanchonete aberta? - perguntou Otávio pra si mesmo. 

Não pude deixar de rir. 







*   *  *

bem, espero que estejam gostando, já está no finalzinho, falta só mais uma parte, 
mas se não gostaram podem ficar tranquilos que ela já está chegando no fim rs (:
para quem quer ler desde o começo eu criei uma pagina somente para Histórias, até então só tem ela, mas está no lado direito mesmo onde ficam todas outras coisas,

divirtam-se (:

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

what should I think?



hoje eu fui varar na UFRA jogar vôlei acompanhada da minha turma,
felizmente as pessoas de la foram muito receptivas e amistosas,
até encontrei uma amiga minha que estuda Eng. de Pesca, era o curso dela com quem jogávamos.

Felizmente também que a volta foi tranquila, como não ando para aqueles lados fiquei com medo de sair ao escurecer, ainda mais com todos esses boatos por Belém e tantas mortes. Não tenho uma opinião formada sobre esse assunto, da tal "guerra" entre a policia e os marginais, só sei que quero estar fora dessa situação toda. Claro que muitas pessoas aumentaram tudo, deixando a população em estado de pavor, não dizendo que não estava perigoso e que não deveria andar alarmado, mas algumas pessoas gostam de dramatizar ainda mais, o que é um pouco revoltante porque nunca se sabe o que é mentira e o que é verdade. E agora transformou-se em pura brincadeira, hoje mesmo vi um vídeo de um cara vestido de homem- aranha procurando os bandidos, 
achei engraçado e ri bastante, mas não deixa de ser ridículo.
Enfim.

Esses meses tem esquentado bastante aqui na cidade, as chuvas diminuíram e o céu está mais límpido, mas mesmo assim ainda é visto nuvens majestosas, do jeito que eu gosto :3

durmam bem e até outro post.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

nice moments


fotos tiradas por Felps, meu colega de turma.

as primeiras 3 fotos foram tiradas com a minha turma de Oceano, a preto e branco é minha favorita,
as demais foram de ontem, em uma prática de laboratório sobre invertebrados,
o primeiro são as espículas de poríferos Dermospongiae e a segunda são Foraminíferos.
eu fiquei meio assustada quando vi os foraminíferos, sinceramente não imaginei que fossem assim,
eles são cheios de bolinhas, não sei explicar como rs, mas foi bem divertido poder vê-los, 
mas os microscópios me dão dor de cabeça kkk.

boa noite (:

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

two lovely songs from two lovely guys


bonfire heart - James Blunt


delicated - Damien Rice

só mais uma - parte 3


- Liza, já preciso ir. Estou com muita dor de cabeça. Desculpem-me todos por ter que ir.

- Ah, sério? - virou-se para ele arqueando as sobrancelhas.

Ele assentiu e falou pesarosamente.

- Sinto muito mesmo, mas ela está forte. Vou acabar ficando de mau humor e não quero estragar o dia.

Liza me olhou com o canto do olho, como se dissesse "mas ela já está fazendo isso", ninguém percebeu. Ela deu um beijo na testa de Otávio e assentiu com um sorriso.

No fim, fomos todos para a parada de ônibus, Liza não queria ficar só comigo e Paulo e nem eu queria ficar só com ele, como um verdadeiro encontro. Nós dois andávamos devagar um pouco atrás. Não pude deixar de perguntar se ele não gostaria de ficar mais um pouco. Ele me olhou surpreso e deu um meio sorriso tristonho depois. Ele olhou para Liza que caminhava de mãos dadas com Otávio.

- Não sei, talvez seja melhor deixarmos para outro dia. Que acha?

Assenti ficando um pouco aliviada e ao mesmo tempo culpada, talvez ele preferisse ficar com a amiga, o que, afinal de contas, era muito bem vindo para mim. Mas mesmo assim tentei fazer minha parte perguntando. Paulo apressou o passo até alcançar os dois e eu o segui. Mantive minha mente ocupada, antes que deixasse-me cair em tristeza. Não saberia explicar o porque, mas aquela semana eu me sentia solitária.

O cheiro da rua estava agradável, assim como o clima, nem nublado nem muito quente. Não pude deixar de inspirar o ar úmido e observar as nuvens que moviam-se lentamente,  desejei que não houvessem tantos prédios impedindo minha visão mais ampla. Sorri para mim mesma com meu pensamento tolo. Acho que no fim eu não me sentia solitária, apenas era. Mas isso nunca havia me atingido.

Os primeiros a se despedirem foram Paulo e Liza, já que moravam próximos pegaram o mesmo ônibus. Ela aparentou beijar Otávio mais por obrigação, se despediu de mim e eles entraram no ônibus

Otávio estava do meu lado, olhando para a rua na esperança de avistar o ônibus certo. Cruzava os braços sobre o peito e batia o pé no chão. Isso me incomodava, ele estava no tédio, claro que estava.

- Esse ônibus não costuma demorar tanto.

Assenti quase imperceptível. Ele me olhou com o canto do olho e disse:

- Quer fazer alguma coisa? Quer ir pra algum lugar?

Ah, sua gentileza é tanto que prefere ficar mais um pouco comigo, mesmo que no tédio, do que me deixar com essa cara fechada. Balancei minha cabeça em negativa, sorri.

- Por que decidiu ir embora? - perguntei sem delongas.

- Percebi que ela estava saindo comigo apenas pra enciumar o Paulo. Não gostei disso, ser usado, então quis ir embora. - ele deu de ombros mas não olhou nos meus olhos.

Assenti devagar, mordendo o lábio inferior e olhando para a calçada a frente. O sol se punha, deixando o céu com cores alaranjadas vibrantes. Eu podia sentir o vento frio do rio e desejei estar de frente a ele, poder apenas observá-lo com suas pequenas ondulações, aquela água turva me ajudava a esvaziar a mente.

- Ela parecia querer muito estar próxima a ti pra estar tentando fazer ciuminhos. Acho que tu estas enganado. - respondi com o mesmo dar de ombros.

Ele permaneceu quieto por alguns minutos, até dizer:

- Talvez, mas não gosto quando... Olha, nosso ônibus, vamos. - acrescentou rápido.

Enquanto ele fazia sinal para o ônibus parar eu mudei de ideia, não queria fazer nada, queria seguir a origem do vento frio que acariciava meu rosto. Queria estar sozinha mas ao mesmo tempo, não, queria que ele fosse comigo sem que eu sequer convidasse. E queria saber o resto daquela frase.

- Na verdade, - comecei um pouco desconcertada, ele virou o rosto para mim - eu não quero ir agora. Acho que vou até a Estação. 

- Vai só? 

Não respondi. O ônibus parou ao seu lado, Ótavio hesitou também, olhou-me preocupado, abaixou os olhos e me deu tchau, subindo os degraus, afastando-se de mim. Percebi que estava prendendo o ar, então soltei-o num suspiro decepcionado. Pus-me a caminhar até a Estação, um ponto turístico da cidade, onde antigamente fora um porto, de frente para a Baía  do Guajará. E como imaginei, o restante da luz solar refletida na água tornara-se apenas bonito. Bonito, mas naquele momento, vazio. 

Coisas que nunca seremos capazes de dizer em voz alta apertam demais a garganta.